
- Hora de dormir meninos. – Paul gritou e depois de cinco segundos as luzes do quarto se apagou. Geralmente ficávamos em quartos separados. Éramos amigos e talvez até irmãos, mas privacidade sempre era uma coisa bem vinda. Mas não hoje. Tivemos que pegar um quarto juntos, mas não tinha problema aquele lugar era grande o bastante para acomodar nossas famílias inteiras.
Os meninos disseram boa noite e se ajeitaram nas suas camas. Menos eu.
Eu não estava com sono.
Peguei o meu celular e suspirei. Nenhuma mensagem nova. Ela provavelmente esta dormindo Tomlinson, se acalma caramba.
Fiquei encarando o teto enquanto ouvia a agitação que vinha do lado de fora. Estávamos em Nova York, à cidade que nunca dormia. Se eu prestasse bem atenção conseguiria ouvir risadas, pessoas cantando, gritos, barulho de sirenes…
Eu só queria ir pra casa. Mas aquilo não iria acontecer tão rápido. Ficaríamos na estrada por dez longos meses e havia passado apenas três, ainda faltavam sete meses e eu já estava subindo pelas paredes.
Era tudo por causa dela. Era a primeira vez em dois anos que a gente ficava separados. Ela viajou conosco na nossa ultima turnê. Ah, como era bom sempre ter ela ao meu lado. Como era bom sentir os dedos finos dela arrumando o meu cabelo antes do show. Como era bom descer do palco e ser abraçado pela mulher mais linda do mundo. Como era bom ouvir um “você foi completamente incrível”. Como era bom tê-la ao meu lado.
Pode ser clichê e coisa de adolescente, mas quando eu ficava perto dela sentia uma sensação engraçada no meu estomago.
Não, não era como se tivessem borboletas voando lá dentro.
Era mais como se eu levasse um tiro. Doloroso, mas bom.
Ela me deixava doido, sem jeito e completamente perdido. E eu adorava essa sensação.
Eu queria que ela estivesse aqui, do meu lado. Eu faria qualquer coisa para ter ela perto de mim. Estar sem ela era uma coisa nova. Tudo era novo. Eu ficava inquieto sem ela. Eu não conseguia dormir sem ouvir a voz dela, deve ser por isso que eu ainda não estava com nem um pouco de sono.
Ela me ligava toda noite. Por que ainda não tinha ligado hoje?
Melhor ainda. Por que você me deixava maluco dessa forma (S/N)?
- Louis Tomlinson, se você não parar de suspirar e se mexer, eu vou levantar daqui e dar um soco na sua cara. Dorme logo seu idiota. – Liam resmungou com a voz rouca.
Pensei até em responder, mas eu não estava com cabeça para brigar com o Liam agora. Apenas tentei fechar os olhos e dormir, como ele havia dito, mas então o meu celular vibrou. Sentei na cama rapidamente e abri a mensagem.
(S/N): Lembre-me de nunca mais dormir na banheira. Estou com a pele toda enrugada como uma pessoa velha. Dei uma risada fraca imaginando a cena.
Louis: Por que você dormiu na banheira?
(S/N): Cansaço. Esse emprego esta acabando comigo. Como foi o show de hoje?
Louis: Normal. Eu sinto a sua falta. Enviei a mensagem e a resposta demorou um pouco para chegar.
(S/N): É normal você sentir a minha falta também. Mais uma risada fraca escapou de meus lábios e Zayn resmungou uma coisa que eu não entendi.Molly me chamou para ir ao bar. Eu até iria se você estivesse aqui, não gosto de ir sozinha.
Sorri sozinho. O bar era o lugar onde a gente tinha se conhecido. Eu tinha acabado de levar o maior fora de todos. Deveria estar triste e chorando pelos cantos, isso é, se eu realmente gostasse da minha ex, mas naquele dia eu estava comemorando como nunca tinha feito antes. Finalmente estava livre dos resmungos dela, do jeito sério e delicado dela, das frescuras. Eu estava livre de Eleanor Calder, e nunca tinha sido tão feliz em toda a minha vida.
Estava solteiro e pretendia ficar daquele jeito por um bom tempo. Até ver ela.
Nas mesas do fundo havia um grupo de meninas, todas eram atraentes, mas havia uma em especial que conseguia ser mais bonita do que todas juntas. Ela era mais bonita do que todas as mulheres que eu já havia visto.
Ela ria o tempo todo. Não era aquele risinho discreto, ela gargalhava mesmo, jogando a cabeça pra trás e batendo a mão na mesa. Era uma risada histérica, talvez até irritante. Mas para mim, era a melhor risada que eu já tinha ouvido.
Eu queria aquela garota.
Passamos a noite inteira se encarando e um dia depois estávamos tendo o nosso primeiro e desastroso encontro. Uma semana depois estávamos nos pegando em meu apartamento. Um mês depois, estávamos namorando.
Era tudo tão simples quando se tratava de (S/N). Ela fazia tudo parecer fácil.
Eu amava aquilo nela.
Na verdade, havia poucas coisas que eu não gostava nela.
(S/N): Eu também estou com saudades suas Lou. Saudades dos seus beijos, dos seus abraços, da sua voz sussurrando boa noite, dos seus braços me abraçando forte, de dormir enrolada com eles, de você tentando destruir a cozinha, ouvir a sua voz falando palavrões, até mesmo das nossas fantásticas brigas. Se você soubesse o quanto eu já chorei esses três meses de saudades…
Suspirei. Ela costumava me dizer que eu era a razão de seus sorrisos, imaginar ela chorando por causa de mim era totalmente destruidor.
Louis: Lembra-se daquela vez que você chegou em casa estressada? E então nós fomos ao bar? Apenas nós dois? E então bebemos tanta tequila que nem conseguiríamos voltar andando pra casa? Fomos pelo caminho errado, nós arrastamos por grande parte de Londres, um segurando o outro, um dando força pro outro. Até que teve um momento que eu não consegui mais andar e me joguei no chão? Você se sentou do meu lado e começou a rir escandalosamente do jeito que você odeia e eu amo. Eu fiquei apenas te encarando por vários minutos enquanto você continuava rindo até chorar por motivo nenhum. Então você se cansou, disse que a sua barriga estava doendo e secou os olhos. Deitou a cabeça no meu ombro e ficamos quietos encarando a rua vazia. Você respirava profundamente do meu lado. O vento fazia seu cabelo voar, você tremia de frio, mas continuava a encarar o vazio enquanto eu encarava todos os seus movimentos. Eu sabia que você estava pensando na sua vida. Nos seus problemas familiares, nos seus problemas do trabalho e até na briga que teve com a sua melhor amiga. Você poderia passar o dia inteiro reclamando no meu ouvido ou trancada no quarto, sozinha, mas você resolveu sair comigo, passou a noite rindo e brincando mesmo com todos os seus problemas. Então depois de tanto tempo pensando, você apenas me olhou nos olhos e sorriu. Como se tudo estivesse na perfeita ordem naquele momento. E foi quando eu realmente te amei, foi quando eu percebi que você era a pessoa que eu queria te ter ao lado o resto da minha vida. Foi quando eu percebi que te amava demais para um dia te deixar ir embora.
Enviei a mensagem e então fiquei encarando o teto. Aquilo poderia não significar nada para ela, mas era uma lembrança nossa que eu nunca conseguiria esquecer. Depois de vários minutos depois o celular voltou a vibrar.
(S/N): Você nunca tinha me contado isso antes.
Louis: Não.
(S/N): Por que agora?
Louis: Pode parecer loucura, mas eu sinto como se você estivesse gritando o meu nome mesmo que a gente esteja separados por um oceano. Você precisa de mim, mas seja qual for o seu problema, você vai conseguir passar por isso. É a mulher mais forte e independente que eu conheço, vai saber o que fazer. Eu te amo e vou estar aqui seja qual for o problema.
(S/N): Eu queria que você estivesse aqui.
Louis: Eu também meu amor, eu também.
Suspirei e encarei o teto.
Sete meses. Faltavam apenas sete meses.
A minha inspiração para esse one shot foi a musica Right Now.
Créditos: http://imagines-do-niall.tumblr.com/
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